sexta-feira, 22 de abril de 2011

Via MSN (parte 3)


Nas aulas, às vezes eu quase podia jurar que ele me olhava, mas quando eu olhava para ele, ele não estava me olhando nem nada do tipo.
E foi assim o ano passou e nada.
Nas férias, quando eu volteia a entrar no msn, tinha uma mensagem off-line do Murillo.
Mu diz: Cara eu te amo
TE AMO!!
De vdd...
Me encontra amanha no centro, vamo olha um filme ou sl, kualker coisa...
So não me deixa
Vamo conversa
Pode ser?
Amanha as 3 tah?
Vai lah porfavor...
Se vc naum aparece.. vou concluir que vc naum ker nd comigo.
EU TE AMO (L)²²
Meu coração parou quando li isso, não pude acreditar nisso.
O que eu tinha feito? A maior cagada da minha vida!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Via MSN (parte 2)


Se eu entrei no msn depois disso? Claro que sim, apesar de tudo eu ainda gostava dele.
O porquê disso? Por que eu ainda tinha esperanças de ficar com ele.
O msn chamou minha atenção. Ele tinha me dado oi – era o primeiro dia que eu entrava desde o meu aniversário.
Mu diz: OIIIiiii!!! *--*
O que aconteceu? :S
Mile diz: oi...
Nd..
Mu diz: Fl mi eu te conheço!
Mile diz: melhor n
Mu diz: pq?
Mile diz: pq sim...
Mu diz: FALAAaa Miiiii
Mile diz: ¬¬
Mu diz: Mi conta!
Mile diz: ok
Mas so pq vc pediu...
Eu gosto de ti e tu fica fazenfdo essas merdas
Fazendo*
Eu comecei a chorar na frente do computador, sem conseguir me controlar. Uma coisa que eu pensei que nunca aconteceria comigo.
- Pra mim já chega – disse a mim mesma e sai do msn.
Que se foda também. Mandei meus sentimentos e tudo que vinham com eles a puta que pariu!
Estava com raiva? Morrendo!
Como um garoto podia ser tão cínico? Eu já tinha suportado o suficiente. Sofrer não era pra mim!
Nunca mais queria vê-lo. Mudaria de sala se fosse preciso.
- GAROTO IDIOTA!! – berrei
Aquele era o final dava pra saber. Era o fim. Meu coração parecia quebrado. Doía muito.
***
Se minha historia fosse um filme ele continuaria com o Murillo indo atrás de mim, deixando de lado as futilidades, preferindo a mim... Como isso não é um filme...
As semanas passaram, e dois meses se seguirão. Eu não entrava mais no msn, nem Orkut.

Via MSN

Pela manhã ele era de um jeito, já à tarde e a noite ele era totalmente diferente.
Nós nos falávamos apenas pelo msn, nunca tivemos nenhum tipo de contato que não fosse pelo msn, pelo menos da parte dele por que sempre que eu podia o olhava sorrateiramente.
Ele era simplesmente perfeito e distante, pelo menos pela manhã, já na tarde e na noite ele era a pessoa mais fofa e a mais próxima de mim.
Era sempre assim pela manhã nenhum olhar, nenhuma palavra, nada, mas pela tarde e a noite ele conversava comigo o tempo todo, nós sempre tínhamos assunto.
Sabe, eu odiava quando as manhãs chegavam e eu tinha de ir pra escola – é eu ainda estudava, tinha 16, estava no segundo grau segundo ano. Era difícil ver ele lá tão perto e ao mesmo tempo tão distante. O nome dele era Murillo, mas no nickname era Mu - parecia mais o som que uma vaca fazia, mas... Vai entender -, para as garotas da escola Murilhinhu, para os garotos Muris, fora os outros apelidos que as garotas inventavam pra chamar a atenção dele, se aproximar, etc.
A vida era assim eu na turma dos antissociais, ele na dos populares. Pelo menos era isso na parte da manhã. A pior parte talvez fosse que nós estudávamos na mesma turma.
Isso me faz lembrar que mês passado (março) foi meu aniversário, dia 23 uma quarta-feira. No dia anterior ele passou a tarde inteira falando que tinha um presente pra mim, que eu iria adorar, imagina como fiquei feliz porque se ele iria me dar um presente ele tinha que fazer isso pessoalmente né? Errado!
Enfim, quando deu meia-noite e um segundo ele me deu os parabéns e saiu do msn, assim sem avisar. Eu pensei que tinha caído e esperei um tempo. Já passava das três da manha quando desisti de esperar e fui dormir.
Não consegui pregar o olho o resto da noite, estava ansiosa pela manhã de aula, esperando que ele me entregasse o presente, que fosse gentil comigo pessoalmente, do mesmo jeito que era pelo msn.
Cheguei alguns minutos antes de todos da turma.
Alguns minutos depois ele chegou, olhou para todos os lados esperando que alguém aparecesse como ninguém o fez ele se aproximou de mim. Meu coração parecia que ia explodir.
- Você recebeu? – ele me questionou com um brilho nos olhos.
Fiquei confusa não sabia do que ele estava falando.
- Recebi?
- O presente! – respondeu ele com um sorriso.
- Não, pensei que você ia me dar ele. – eu estava decepcionada com ele.
- Hum. Então deve chegar esta tarde. - ao longe ouvi vozes no corredor e acho que ele também, pois se afastou de mim apressadamente.
Passei o resto da manhã... Como todas as outras na minha, mas dessa vez não o olhei nem uma vez se quer.
Já à tarde recebi um pacote do correio endereçado a mim embora sem remetente. Com certeza era dele. Abri sem muito entusiasmo, mas quando li o título do livro fique sem ar. Era o livro que eu estava procurando há meses. Esse livro não tinha mais nenhum para se vender nem onde comprar, pelo menos eu achava, sua primeira e ultima tiragem foi de 1990, ele era praticamente uma raridade e, no entanto Murilo o tinha conseguido para mim.
Claro que eu fiquei feliz... Com o livro e não com os atos dele. Tá eu entendia todo aquele negocio de popularidade e não se misturar com os excluídos. Mas poxa... Eu era um ser humano, tenho sentimentos!
E por essa razão não entrei no msn o dia inteiro. Resisti muito pra não cair na tentação de entrar no msn.
No dia seguinte eu fui pra aula normalmente.
No meio da aula de literatura (quando quase todos estavam dormindo) recebi uma mensagem:

Ei...
Q axou do presnt?
Vc tah bm??
Pq n entro no msn ontm?
Snti sua falta. Entra hj!

Não tinha número para retorno, mas eu não precisei disso pra saber de quem era a mensagem. Aliás, como ele tinha meu número??
Cruzei os dedos para que o Bluetooth dele estivesse ligado. Que sorte estava, tinha o nome de Muris. Mandei uma mensagem.

Gostei DO PRESENTE – SO DELE –
To ótima...
N tava afim de entra e vamos combinar vc n sentiu minha falta nd...

Enviei. Desliguei o Bluetooth. Não queria saber a resposta dele.
Sai apressada pelo corredor quando o sinal bateu. Corri pra casa, estava morta de fome.
E foi assim o que passei o meu aniversário.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Doce Sonho (parte 4)

Claro que eu achei várias coisas sobre o nome Yekun. Varias empresas com a palavra, mas um blog me chamou a atenção.
Nesse blog falava-se de anjos caídos, claro que estranhei o assunto, mas parecia que aquilo estava mais próximo da verdade. Nele contava que Yekun era originalmente um anjo, e seu nome significava rebelde, também dizia que ele foi o primeiro anjo a desencaminhar os outros. Não dizia só coisas ruins a respeito dele, também se dizia que ele era muito inteligente e tinha ensinado os homens à linguagem dos sinais, ler e escrever com tinta.
Ele sempre me deixava sozinha, acho que eu não poderia confiar nele.
Enfim, o tempo voava quando eu pensava nos sonhos ou algo relacionado a isso. Já esta na hora de eu sair. Mas não conseguia tirar ele da cabeça, seu nome ficava indo e voltado na minha mente, quase conseguia ver as palavras em frente de meus olhos e a voz dele que parecia me chamar de algum lugar muito longe. Passei a aula inteira assim, num mundo só meu em que ele tentava me dizer coisas que eu não conseguia ouvir, mas tentava decifrar e com uma vontade gigante de gritar o nome dele.
Estranho?                                                                                                    
Não estranho era apelido, eu não conseguia ficar parada saia a todo instante do lugar. Já não aguentava mais aquilo, eu não conseguia prestar atenção em nada.
Aliás, por que eu estava ali mesmo? – por um momento perdi completamente a razão, não queria mais ficar ali, e não ficaria –.
Juntei minhas coisas e fui embora.
O que eu estava fazendo? Eu tinha de assistir a aula.
Parecia mais importante encontrar com ele, mas para onde eu iria?!
Estava difícil pensar. Minhas pernas simplesmente me levavam para algum lugar que eu não fazia ideia de onde era.
Os meus passos começaram lentos, depois de alguns instantes já estava quase correndo.
Corri até a parte mais afastada da cidade, onde havia um pequeno parque muito arborizado.
Estava cansada. Nunca tinha corrido tanto em minha vida como hoje. Mal conseguia respirar direito, meu peito queimava.
Não havia mais ninguém ali, a não ser eu.
- Yekun! – a minha boca simplesmente se mexeu e disse o nome dele, sem nenhum comando de meu cérebro.
Uma brisa começou serena, logo se transformou num vento forte. E lá estava ele, bem a minha frente com um sorriso manhoso no rosto.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nem o Tempo Pode Curar Tudo

Foi a ultima recordação que tive dele, antes de partir:
Estava eu num parque e ele tinha acabado de chegar.
Não tinha pronunciado uma única palavra, mas eu já sabia o que ele estava pensando em dizer, talvez estivesse só procurando as palavras certas.
Ele iria terminar comigo. Mesmo depois de todas as promessas. Mesmo depois de tudo.
Eu não queria ouvir uma só palavra da boca dele, seria melhor que eu terminasse tudo de uma vez.
- eu sei o que você esta pensando... sei que você esta pensando em terminar e ficar com ela.
Ele não se expressou de nenhuma maneira, eu não aguentei juro que tentei segurar, mas a lágrimas simplesmente escaparam.
Ela tinha salvado ele de um acidente se jogando na frente do carro, tinha ficado com seria fraturas e mesmo que se recuperasse talvez não voltasse a andar.
Ele se sentia culpado por tudo isso, ainda mais que ela o tinha salvado depois de se declarar para ele e ele a rejeitar por estar comigo.
Era um dilema, um dilema que ele já tinha a resposta. Ficar com ela.
Foi o pior dia da minha vida, sentia meu coração arrebentado, dilacerado, como se eu nunca mais fosse voltar a sorrir novamente.
Felizmente o tempo cura tudo.
Levantei daquele banco e sai, sem olhar para trás.
Eu iria ficar bem era só uma questão de tempo. - Mas às vezes quando não dava para segurar a dor ou a saudade, eu ia mesmo que inconscientemente para o mesmo banco que tínhamos terminado tudo-.
Daquele dia em diante conheci outros garotos, uns piores que ele, outros melhores, mas jamais o esqueci.
E se algum dia eu ainda passar por ele na rua, por mais mudado que ele esteja eu vou reconhecê-lo, pois meu coração sempre acelera quando eu estou perto dele.
Para falar a verdade ontem mesmo passei por ele na rua, ele ainda estava com ela, e mesmo tendo passado tanto tempo meu coração ficou acelerado e dolorido. Sem querer algumas lagrimas escaparam. Talvez o tempo não cure tudo.

domingo, 10 de abril de 2011

Doce Sonho (parte 3)

Dessa vez o sonho tinha mudado, eu não estava na mesma floresta era diferente. Ainda tinham árvores, mas o chão era areia.
- Emilly. – era a voz dele, aquela voz doce e calma.
Eu me virei para olhar para ele, mas ele não estava lá. Então novamente sua voz ecoou pelo local:
- Não apenas chame por mim, - pausa – mas chame por meu nome.
Respondi para o vazio esperando que ele pudesse me ouvir:
- Mas... eu não sei seu nome.
- Yekun. – disse ele.
- você vai voltar?! – questionei aflita.
- Eu sempre volto – respondeu ele, a voz ficando mais distante.
Tudo foi ficando mais escuro. O despertador tocava me chamando de volta a realidade.
Abri os olhos.
Tinha caído da cama. Estava no chão enrolada nas cobertas.
Ele voltou. Yekun era esse seu nome.
Nove horas da manhã de segunda-feira.
Eu não tinha aula até a noite então, acho que não faz mal chamar ele.
- Yekun?! – esperei algum tempo e nada aconteceu.
Talvez ele não tivesse ouvido. Tentei novamente dessa vez mais alto. Mas nada aconteceu. Tentei uma ultima vez e nada.
Já começava a duvidar se o que tinha acontecido não passava de um sonho bobo.
***
À tarde até que chegou bem rápida... eu tinha um trabalho para terminar da faculdade, só precisava colocar o endereço de alguns sites na bibliografia. O resto já estava pronto.
Essa parte foi fácil, fiz em uns cinco minutos. Depois mandei imprimir. Não tinha mais nada para fazer.
Uma ideia maluca me ocorreu. E se eu pesquisasse no google o nome dele oque aconteceria?

sábado, 9 de abril de 2011

Doce Sonho (parte 2)

Meu coração se apertou, senti como se estivesse no sonho, só que numa versão diferente.

Senti que tudo o que tinha me acontecido de bom até agora tinha ido embora junto com ele.
Corri para a sacada e gritei por ele como no sonho.
Gritei na chuva pedindo que ele voltasse, mas nada aconteceu.
Eu estava encharcada, desesperada por alguém que até agora só tinha visto em sonhos.
Pensei em pular de lá e sair correndo atrás dele. Mas para onde eu iria? Eu mal fazia ideia da direção que ele tomara.
As lágrimas chegavam aos meus olhos, tão singelas, que só as percebi porque eram mais quentes do que as gotículas de chuva que atingiam minha pele.
Ele era real!
Eu não sei ao certo quanto tempo fiquei parada lá na chuva, mas foi tempo suficiente para minhas pernas endurecerem. Eu voltei para dentro do quarto espantada com o que acabara de acontecer e com minhas reações. Meu coração ainda estava apertado, mesmo depois de algum tempo.
Ele tinha asas negras!
Era um anjo?
Era um demônio?
O que ele era?
Eu o veria novamente?
Deitei na cama pensando nessas perguntas e adormeci. Não tive sonhos. Acordei no outro dia às dez horas da manhã.
Fui para a cozinha, preparei algo para comer e ligue a TV. Não tinha nada passando, típico domingo. Então me lembrei dele, mas a memória parecia tão borrada, não conseguia me lembrar de todos os detalhes. Que roupa ele estava? Ele fez algum gesto? Ele disse alguma coisa?
A memória daquela noite ia sumindo cada vez mais. Como um sonho.
***
Escurecia novamente...
Ele viria?